sexta-feira, 11 de maio de 2012

Phil no País de Oz #3

Capítulo 3 (final)
          Aquele pensamento o atordoava. O que diabos significava aquela frase? “Quando estiver na frente do reto fique esperto, calado e quieto”, qual era o sentido disso? Será que havia sido um aviso do Aslam de Chesire? Ou apenas um pensamento maluco daquele animal? Afinal era só um gato que falava!
           Mas ele deixou pra lá esses pensamentos depois de uns dez minutos de caminhada, quando chegou a uma área de mata novamente. Não que a nova paisagem o tenha chamado a atenção, mas algo que vinha de dentro dela.
           Curioso, se aproximou da beira da estrada para olhar para dentro da mata verde na direção de onde uma luz estranha, como se um farol estivesse aceso no meio das árvores, mas um pouco distante. O mato não era muito fechado, com certo espaçamento entre as árvores, o que permitia uma vista razoável mato à dentro. Tentou ver o que era aquela luz, mas ela era um pouco ofuscante, e parecia vir de uma clareira minúscula de poucos metros de diâmetro. Então deu uns passos para fora da estrada, pisando agora num chão forrado de folhas e foi entrando lentamente se escondendo atrás das árvores para descobrir que luz era aquela.
Quem sabe não fosse a saída daquele lugar?
Mas de repente seu óculos se fez útil e ele finalmente enxergou o que se passava ali. Não, não era um farol de carro, e estava bem longe disso.
Ele viu uma mulher, mais parecia um adolescente, em pé e com cara de prisão de ventre olhando para um homem tão branco como açúcar refinado e que brilhava ao sol como se tivesse tomado um banho de glitter! O casal começou a conversar e cada vez mais parecia que aquela dor de barriga da adolescente era constante, pois sua expressão de dor no estômago não mudava nunca. Ela chorou, depois ficou quieta e depois pareceu sorrir, mas seu rosto tinha uma forma sempre constante, nunca mudava.
Então por trás deles surgiu um cachorro poodle que pulou nas costas do homem-holofote e os dois começaram a lutar. Phil começou a ficar com medo nesse momento e decidiu ir embora dali para sua própria segurança. Antes de voltar à Estrada das Plaquinhas Vermelhas olhou para trás uma última vez e viu que o poodle estava se transformando em um homem.
O cachorro, na verdade, era um cachorrosomem!
Então Phil decidiu correr para o mais longe dali possível, e não precisou ir muito longe até perceber que a estrada terminava num imenso cano que parecia o famoso cano do bairro de Engenho do Meio, porém esse era bem maior. Seu diâmetro era de dois metros, e seu material era muito grosso e resistente e uma plaquinha pendia pendurada por arames em na parte de cima com a inscrição “Oz Encanamentos. Caminho para a Cidade da Comida de Ouro”. Parecia ter sido feito para transportar pessoas!
Então aquela frase voltou à sua memória.
Quando estiver na frente do reto fique esperto, calado e quieto.
Sem saber o que fazer, Phil deu um passo para dentro do cano e apenas ficou parado observando seu interior e em silêncio. Do sétimo metro à sua frente em diante só via escuridão. Foi quando começou a sentir uma força lhe puxando para frente. Mas não era como se quisesse fazê-lo andar, a sensação é que seria arrancado do chão a qualquer momento!
E foi o que aconteceu em seguida.
O aprendiz de carteiro foi levado como se flutuasse no interior do cano e sua velocidade aumentava cada vez mais! Apesar de não enxergar nada, em certo momento percebeu que não estava mais sendo arrastado para frente, mas sim para cima. Começou a enxergar uma luz que se abria em cima da sua cabeça e notou algo que quase tampava a saída do túnel. Algo que parecia um tijolo enorme! Como por instinto Phil levantou a mão esquerda e cerrou o punho.
Quando foi lançado para fora do cano em alta velocidade sua mão socou o tijolo que flutuava à apenas um metro da saída. Curiosamente o tijolo se esfarelou e de dentro dele saiu uma moeda de um real que Phil pegou no ar no mesmo momento que disse:
-It’s me, Phil!
Já no chão e em segurança, olhou para os lados tentando observar onde estava e foi quando viu o que tanto procurava. Um muro branco com uma grade, lá dentro cadeiras e mesas e uma piscina estranhamente verde que parecia ser o local onde foram feitos as experiências para a criação do Hulk. Na frente estava escrito “Cidade da Comida de Ouro”.
Finalmente ele havia chegado!
Notou em seguida que um pequeno caminho contornava o muro indo em direção aos fundos da cidade. Foi naquela direção feliz da vida, até que se sentiu observado e olhou para cima. Dois olhos estavam fixos nele em meio à uma pelagem listrada.
Era um gato-câmera. Um gato que serve para amedrontar pessoas suspeita, seguindo com os olhos cada passo que davam. Mas como Phil não era a pessoa mais suspeita do mundo, conseguiu passar por ele tranquilamente.
E então chegou ao tão procurado prédio Vasconcelos Sobrinho. E descobriu que as aulas já haviam terminado, pois eram apenas para apresentação das disciplinas.
Fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário