segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #1

Parte 1
(Esses fatos ocorreram após o caso de Phil no País de Oz e precederam os que foram relatados em BCC Wars)
Terça-feira, seis da noite. Nuvens escuras anunciavam chuva em breve sobre a Universidade Federal Rural de Pernambuco. Dezenas de alunos saíam pelas portas do Prédio Professor João Vasconcelos Sobrinho ao fim do turno da tarde tomando seus diversos caminhos. Muitos iam para casa, alguns a outras áreas da universidade como a Biblioteca Central, outros fazer um lanche para esperar aulas do horário noturno e poucos para qualquer outro lugar.
Os terceiro e quarto períodos do curso de Ciência da Computação saíam de uma aula pesada e complexa da disciplina de Circuitos Digitais sobre Flip-flop em que dois terços da turma dormiu pelo menos metade da aula.
Nesse grupo que descia as escadas vinha um jovem de camiseta preta, calça jeans azul, tênis All-Star e mochila. Alex Justino estava acompanhado por Jonathan, Mariane e Phil, com quem assistia metade das suas aulas, e do seu aiPhone que tocava um álbum de Madonna. Ao passarem pelo portão do prédio Alex se despediu dos seus três amigos, que estavam com pressa, e atravessou a rua de duas faixas que cortava aquela área da universidade para comer no restaurante imediatamente à frente de onde estava.
Caminhando em direção à entrada, que ficava na outra extremidade do estabelecimento, o rapaz notou um par de olhos pequenos e brilhantes que vinham de uma pequena gaiola de metal presa em cima do muro destinada a equipamentos de segurança, mas que estava ocupada pelo gato-câmera do restaurante. O animal acompanhou cada passo dado pelo garoto movendo apenas a cabeça lentamente, até que este dobrou à direita na quina do muro. Alex entrou para comprar um pacote de biscoitos recheados sabor chocolate e saiu em menos de três minutos. Ao voltar pelo mesmo caminho se deparou com uma cena assustadora.
O gato estava agora sentado no chão e olhava fixamente para o rapaz. Na parede notou algo aparentemente pichado, mas então se deu conta de que aquilo não estava ali antes. E muito menos era uma pichação, pois aquilo não era tinta.
Era sangue.
Os inimigos do Imperador morrerão. A caçada já começou.
Alex não sabia o que aquilo significava e muito menos porque aquele animal olhava fixamente para ele como se quisesse dizer algo, mas não ficaria ali para descobrir. Porém quando tentou escapar do lugar o gato se pôs em sua frente, miou com uma expressão demoníaca e em seguida as pupilas deixaram sua forma felina e passaram a ter a aparência de uma letra “S”. O jovem ficou sem reação e deu um passo para trás no mesmo momento em que o gato avançou alguns centímetros lentamente.
E em seguida atacou dando um salto com as garras armadas.
O rapaz tentou desviar do ataque, mas não foi rápido o suficiente. O animal cravou as unhas nas alças da mochila e quando os olhares de ambos se encontraram tudo ao redor ficou escuro por dois segundos.
Quando Alex piscou os olhos estava num lugar totalmente diferente. E o gato havia sumido.
Era um galpão enorme de cerca de 250m², a única iluminação vinha de uma plataforma de metal e ficava de frente para os olhos de quem chegasse, atrapalhando a visão de quase tudo que houvesse nas paredes ou à frente da pessoa. Tudo o que ele conseguiu ver foram coisas penduradas às paredes do lugar por suportes que não conseguia identificar.
A intensidade da luz diminuiu um pouco no momento em que uma silhueta surgiu por trás dos holofotes. Parecia ser uma mulher pelo formato do cabelo, aparentava ter baixa estatura e uma voz cruel que disse:
-Bem-vindo ao meu playground. Vamos nos divertir muito aqui.
As luzes que o impediam de enxergar se apagaram e em seguida as lâmpadas fluorescentes que pendiam do teto se acenderam gradativamente de onde Alex estava até a plataforma de onde a voz veio. E agora ele pôde ver o que estava pendurado nas paredes.
Corpos humanos cobertos de sangue perfurados por ganchos enormes que atravessavam o tórax de quase todos eles, apenas alguns estavam perfurados em outros locais por falta de ossos suficientes no peito para sustentação. Havia dezenas deles por todas as paredes laterais e em alguns cantos partes que pareciam pedaços de pernas e braços estavam jogadas pelo chão como resultado de alguma morte terrível.
Quando as luzes terminaram de acender ele pôde enfim descobrir quem era sua anfitriã naquele playground dos horrores.
E essa descoberta não poderia ser pior.

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