domingo, 27 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #5

Parte 5
A menina voltou ao local com o mesmo sorriso fixo assustador no rosto. Parecia estar realmente fora da realidade, não era mais um humano que andava ali. Caminhava lentamente olhando o dedo pintado por algum remédio cicatrizante derramado sem cuidado sobre o corte. Não parecia sentir dor.
Na verdade parecia nunca ter sentido.
Posicionou-se novamente de frente para Alex que ainda estava desacordado. Finalmente ia começar a se divertir. Olhou o aiPod no pulso no braço esquerdo como se fosse um relógio e o tocou com o dedo indicador, o display então passou a exibir uma playlist. Ela escolheu uma música e tocou no botão play. A música começou a ser reproduzida por todos os cantos do galpão, fazendo o local parecer uma boate vazia.
-Ahhh eu podia testar aquele azulzinho... - disse pra si mesma com ar de empolgação. - Interessante ele, vamos ver se dá certo.
Pegou a seringa que usou antes e caminhou até o armário de onde havia tirado o avental e então se abaixou para abrir uma das três gavetas dispostas verticalmente. Abriu a primeira, estava vazia. A segunda, também sem nada. E então na terceira achou o que procurava. Um recipiente plástico com um líquido azul turquesa. Rapidamente inseriu a agulha no plástico fino e fez a agulha sugar o máximo que pôde. Em seguida voltou à cobaia que ainda não esboçava reação alguma.
***
Imóvel, oculta pelas sombras, estava Suzana. Agora agradecendo a todos os deuses, existentes ou não, por Day ter ligado o som, pois agora não precisava mais controlar a respiração para não ser ouvida. Não conseguia enxergar muito bem o que estava acontecendo, porque mesmo no escuro achou mais seguro ficar abaixada por trás de um pequeno armário móvel.
Queria fazer alguma coisa para tirar o rapaz dali, mas a chegada repentina da torturadora reduziu a quase zero qualquer chance de fazer algo realmente útil. Então esperava a oportunidade certa para tentar algo. Mesmo sem ter ideia do que fazer.
Então ela tocou o chão para trocar a perna de apoio e sentiu algo metálico tocar seu dedo.
***
Dayanne inseriu a ponta da agulha no antebraço direito de Alex perto do pulso lentamente, como se saboreasse a sensação da agulha perfurando a pele. Injetou aos poucos o líquido azul que rapidamente ia se espalhando pelo antebraço e descendo até a mão da vítima. O rapaz começou a ter espasmos em todo o lado direito do seu corpo, mas a menina continuava a injetar a substância azul.
Até que se ouviu uma pancada. O som de uma barra de ferro que encontrava com força um crânio. Day caiu ao chão com um baque surdo. E parecia que não levantaria nunca mais.
Suzana não acreditava no que acabara de fazer. Ainda segurava, em choque, a barra de ferro que encontrara no chão um minuto atrás. Havia matado uma pessoa e, por mais que achasse que fora necessário, demoraria muito tempo para superar aquilo totalmente. Demorou pouco mais de um minuto para ela voltar ao mundo real e socorrer o rapaz que ainda se debatia na cadeira.
Desamarrou todas as fivelas das amarras semelhantes a cintos que prendiam seus pulsos, tornozelos e tórax e esperou até que ele parasse de reagir à substância. O antebraço de Alex estava com uma cor azulada que desaparecia aos poucos, na proporção em que os espasmos diminuíam.
Dois minutos depois as reações pararam de vez, deixando apenas o corpo desacordado, porém ainda com vida sobre a cadeira. Suzana, que estava vivendo os minutos mais longos da sua vida, tentou acorda-lo para procurarem logo a saída dali, mas sem sucesso. Deu leves tapinhas no rosto, moveu os braços, fez tudo que imaginou que ajudaria, mas nada o acordou. Até que desistiu e decidiu esperar impacientemente que ele acordasse.
Nesse momento ele abriu os olhos lentamente sem saber onde estava. Olhou ao redor e viu a menina que quase chorava de felicidade ao vê-lo acordar.
-Suh? O que aconteceu?
-Vamos logo sair daqui, eu acho que... - as palavras ficaram presas quando ela olhou para o corpo estirado no chão.
Alex não conseguia acreditar que sua raptora estava morta e seu corpo inteiro. Não achava que sairia dali vivo, muito menos sem um arranhão. Pelo menos ele não sentia nada diferente.
-Ai meu Deus, vamos logo embora daqui! - falou se levantando lentamente da cadeira. A falta de força era a única coisa que sentia diferente.
Suzana o ajudou a andar e eles seguiram em direção à porta escondida na parede. Mas quando ela abriu eles foram surpreendidos.
Não era apenas um galpão.

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