sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #3

Parte 3
            A raptora deu as costas ao rapaz desacordado e andou calmamente em direção a um armário rústico de madeira poucos metros dali. Abriu a porta e pegou um avental como aqueles usados por empregadas domésticas para cozinhar. Não fazia sentido o uso de tal peça já que apenas isso não seria suficiente para não se sujar com o sangue, mas o estado mental em que a garota se encontrava explicava que ela provavelmente não ponderava muito bem suas ações.
            Desligou quase todas as luzes do galpão deixando apenas umas poucas acima de onde estava. Queria que apenas o fatídico local ficasse claro.
            A proximidade com a experiência que faria a seguir a havia deixado mais pervertida. Seu rosto esboçava um sorriso suave e natural, porém constante, fazendo parecer que ela estava numa realidade própria, onde aparentemente conceitos de moralidade não existiam.
            Terminou de amarrar o avental de tecido sintético coberto com algum tipo de plástico fino e maleável, puxou uma mesa com rodinhas carregada de instrumentos cortantes e voltou-se para a cobaia.
            -Por onde começo? - falava consigo mesma. - Acho que vou começar pelos pequenos pra ver se eles saem fácil... - e olhou ao redor procurando algo. - Ah, que droga, a tesoura de vó sumiu de novo. Tenho que parar de usar ela pra tudo.
            Começou a revirar a mesa procurando a tesoura. Cortou-se de leve em alguma coisa afiada e um filete de sangue começou a escorrer do seu dedo médio da mão esquerda. Ela então observou o corte como se não sentisse dor e caminhou em direção à parede de onde pendia a plataforma por onde tinha vindo que ficava a três metros do chão.
-Acho melhor fechar isso. - disse ainda olhando o dedo. - Só cinco minutos não vão fazer falta.
Ao se aproximar da parede feita de alguma liga metálica, revelou-se uma porta secreta que deslizou dois centímetros para trás e então correu à direita abrindo o caminho para o interior da construção. Quando a garota passou a passagem fechou-se fazendo o movimento inverso.
            Alex continuava preso à cadeira desacordado. E ele estaria sozinho ali.
Não fosse uma silhueta que saía sorrateiramente de um dos cômodos minúsculos atrás dele.
Quando adentrou a área iluminada sua identidade ficou clara, embora não houvesse ninguém ali para ver. Era uma menina de cabelos negros, pele branca, porém bronzeada, estatura média e uma expressão que revelava um grande cansaço mental. Suzana havia passado por uma seção de tortura psicológica que durara mais de uma hora.
Havia sido trancafiada dentro daquele cubículo onde havia uma cadeira semelhante à da vítima desacordada que ela acabara de descobrir. Lá dentro havia uma tela onde foram exibidas coisas que não se recordava mais. Na verdade não conseguia lembrar-se de nada antes do momento em que fora aprisionada e não fazia a menor ideia de como havia se libertado da cadeira. Desconfiou que a torturadora tivesse deixado suas amarras folgadas e quando teve aquela crise de espasmos há uns minutos atrás havia se libertado por acidente.
Mas agora descobrira que Alex também estava ali por algum motivo e não sairia dali sem leva-lo junto. Talvez outra pessoa sim, mas não ele. Não a pessoa por quem ela escondia um amor platônico.
Ela iria salva-lo a todo custo.
Então uma abertura na parede deslizou à direita.
Dayanne estava de volta.

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