quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #2

Parte 2
            Dayanne olhava o recém-chegado refém com um sorriso macabro, quase psicótico. Com o ambiente totalmente iluminado agora admirava todos os seus artefatos de tortura, que chamava carinhosamente de “brinquedinhos”, dispostos no chão do galpão. Iam desde lâminas de todas as formas e tipos, imagináveis ou não, a objetos que pareciam ser aleatórios e não faziam sentido estarem ali. Estava imóvel sobre a plataforma com as duas mãos atrás das costas como se esperasse alguma coisa.
            Alex não tinha reação ao perceber onde estava. Observando rapidamente ao redor pôde perceber que o galpão não tinha portas ou janelas. No teto de formato quase piramidal apenas algumas aberturas pequenas, com o diâmetro de um cano PVC usado para grandes volumes de água, de onde não vinha luz alguma como se fizesse parte apenas de um sistema de ventilação. À sua frente muitos objetos e, pode-se dizer, móveis estavam distribuídos sem padrão organizacional nenhum por todo o andar térreo. Em alguns cantos haviam pequenos “cômodos”, como aqueles pequenos banheiros de bares que têm apenas um vaso sanitário dentro, com as portas trancadas, tornando impossível saber o que estava escondido ali.
Claustrofóbico é como qualquer um se sentiria ali.
-Você parece nervoso por causa dos meus brinquedinhos...
-Não, nervoso não... – respondeu Alex tentando esconder o medo que sentia. – Apenas... Desconfortável... Não gosto muito de coisas pontudas e afiadas.
-Tudo bem, não precisa ter medo, serei boazinha com você. – nesse momento ela deu um passo para fora da plataforma e começou a flutuar no ar na direção do refém como se cabos de aço a carregassem como em peças de teatro. – Entenda que não é nada pessoal, eu gosto de você, mas sirvo ao Imperador, – ela aterrissou no chão e chegou a poucos metros do rapaz. – e você era um dos alvos dele, então não posso fazer nada por você.
-Obrigado então... Eu acho...
Alex foi erguido ao ar como se algo controlasse a ação da gravidade sobre seu corpo conduzindo-o para o centro do local. Day seguia atrás a curtos passos acompanhando-o ao seu destino. O prisioneiro foi colocado numa cadeira semelhante a uma cadeira elétrica, porém sem os aparelhos para transmissão de eletricidade, onde seus pulsos, tórax e tornozelos foram amarrados firmemente. Alex viu seu algoz se posicionar à sua frente para um breve diálogo antes do começo da seção de horrores.
-Eu gosto de explicar o que vou fazer com minhas vítimas antes de começar. Gosto de criar uma relação de carrasco para vítima, me faz me sentir mais à vontade.
-Interessante, Day, mas se eu não precisasse sentir dor eu agradeceria.
-Não se preocupe. Apenas quero retirar todos os ossos que eu conseguir do seu corpo um por um para saber como alguém fica sem seus ossos. - disse calmamente, como se fosse algo costumeiro. - Nunca tentei isso antes, então fique feliz em saber que você será o primeiro. Mas como eu disse que serei boazinha com você, - ela se virou e buscou uma seringa numa mesa bagunçada alguns metros atrás. - vou te ajudar. Essa anestesia vai fazer você sentir apenas metade da dor que deveria sentir, não é uma boa notícia?
-Eu não sei se fico aliviado ou com mais medo ainda... Não podia apenas me matar como fez com aqueles pobres gatos? - ele sabia do que a menina era capaz, então talvez morrer fosse uma alternativa melhor do que passar por aquele jogo sanguinário.
-Não, assim não seria divertido. - respondeu simplesmente. - Mas você é meu amigo, vou fazer algo que nunca faria com qualquer outra pessoa. Vou te botar para dormir, e apenas vai sentir toda a dor quando acordar e não tiver mais nenhum osso dentro de você. - ela começou a divagar falando para si mesma. - É, seria uma experiência interessante, mas não lembro se ainda tenho aquele frasquinho roxo... – e começou a andar por todo o lugar em busca da substância, até que achou rapidamente.
O rapaz suava frio desde que foi atado à cadeira e não podia fazer nada, pois estava totalmente imobilizado e conversar com uma psicótica daquele nível não teria resultado algum. Então ela voltou e empurrou a agulha contra a pele do prisioneiro perfurando-a e injetando o líquido incolor.
-Até mais tarde, Alex. - disse com um sorriso leve no rosto.
E ele apagou.

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